Estrutura da economia

Uma das características mais importantes da estrutura da economia portuguesa nas últimas décadas é o crescente domínio do sector dos serviços, à semelhança, aliás, dos seus parceiros europeus. Em 2011, agricultura, silvicultura e pescas representaram apenas 2,1% do VAB (contra 24% em 1960) e 9,9% do emprego, enquanto indústria, construção, energia e água corresponderam a 23,3% do VAB e 27,3% do emprego. Os serviços contribuíram com 74,5% para o VAB e representaram 62,8% do emprego.

Para além de uma maior incidência dos serviços na actividade económica, registou-se uma alteração significativa no padrão de especialização da indústria transformadora em Portugal. Modernizou-se, saindo da dependência de actividades industriais tradicionais para uma situação em que novos sectores, de maior incorporação tecnológica, ganharam peso e uma dinâmica de crescimento, salientando-se o sector automóvel e componentes, electrónica, energia, farmacêutico e novas tecnologias.

Ainda nos serviços, refira-se a importância da posição geográfica de Portugal, usufruindo do clima mediterrânico, moderado pela influência do Atlântico, bem como o significado da imensa costa portuguesa, que apoia uma relevante indústria turística.

Situação económica e perspectivas

A recuperação gradual da procura à escala global e das economias dos nossos principais parceiros comerciais, iniciada ainda em finais de 2009, permitiu a Portugal retomar uma trajectória de crescimento em 2010 (PIB cresceu 1,4% face ao período homólogo), com base no bom desempenho das exportações, principal “motor” dessa recuperação.

Entretanto, o alastrar da crise da dívida soberana na Zona Euro ao longo do ano de 2010 e início de 2011 contribuiu para a deterioração das condições de acesso aos mercados de financiamento internacionais. Para a economia portuguesa, caracterizada por um elevado grau de endividamento externo e baixo crescimento económico tendencial, conjugados com um défice público excessivo, estes acontecimentos vieram colocar em causa a sustentabilidade das finanças públicas, tornando inevitável o pedido de assistência financeira à União Europeia e FMI em Abril de 2011.

As principais linhas estratégicas do Programa de ajustamento económico e financeiro em vigor até 2013 foram desenhadas para assegurar um desenvolvimento equilibrado e sustentado da economia no médio-longo prazo, para eliminar as restrições ao crescimento económico, promovendo a competitividade e o emprego, e para garantir uma trajectória sustentável para as finanças públicas.

O seu impacto na economia portuguesa será, contudo, muito significativo. Portugal assistiu a uma contracção do PIB de -1,6% em 2011, que se acentuará em 2012 (-3,3%), perspectivando-se que retome uma trajectória de crescimento já a partir de 2013. As exportações continuarão a registar um crescimento assinalável, embora não suficiente para compensar o impacto das medidas restritivas na economia, provocando uma quebra acentuada do consumo e do investimento.